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Escrito por Isildo Gomes   
24-Fev-2007

Pretende-se iniciar aqui uma breve abordagem, através de uma colectânea de artigos científicos, que tentem demonstrar que a ilha do Fogo detém recursos naturais renováveis e não renováveis capazes de garantir o bem estar das suas gentes e o almejado desenvolvimento sócio-económico da ilha e contribuir para o desenvolvimento sócio-económico de Cabo Verde, enquanto território unificado.  Para melhor se entender a contribuição dos recursos naturais para a sobrevivência dos seus habitantes e para o seu desenvolvimento sócio-económico, deve-se ter em devida consideração as valiosas contribuições dos ilustres historiadores que escreveram e continuam a escrever sobre as potencialidades ecológicas da ilha, nomeadamente, António Carreira e António Correia e Silva. Este último dizia, no volume I da História Geral de Cabo Verde que as ilhas de Santiago e do Fogo eram as que detinham melhores potencialidades ecológicas capazes de oferecerem garantias à fixação do homem no processo de povoamento do Arquipélago. Diniz e Matos (1986) referiam-se, na Carta de Zonagem Agro-ecológica da ilha do Fogo, às características do solo e condições climatéricas propícias para a prática de agricultura de sequeiro, sobretudo nas zonas semiáridas, subhúmidas e húmidas.  Porém, se o homem da ilha do Fogo sempre se habituou a explorar as terras para a agricultura de sequeiro, em grande escala, e para a agricultura de regadio, em pequena escala, o mesmo não se pode dizer em relação ao aproveitamento das potencialidades biológicas da ilha. Vários estudos de diversos autores, sobretudo nos últimos anos, demonstraram que a ilha detém recursos biológicos em diversas zonas agro-ecológicas que, se valorizados, darão um valioso contributo à geração de rendimentos às comunidades locais e consequentemente ao desenvolvimento auto-sustentado da ilha. No entanto, a valorização de qualquer recurso natural pressupõe o desenvolvimento de estratégias, planos e programas para a conservação e a utilização sustentável desses recursos ou a adaptação para este fim de estratégias, planos ou programas existentes, aos objectivos de gestão sustentável de recursos naturais.A valorização dos recursos biológicos pode fazer-se de várias formas, sendo o turismo rural, a estratégia que melhor sirva a esse propósito.  Nesta primeira abordagem pretende-se incidir sobre a importância da biodiversidade autóctone da ilha na prática do ecoturismo enquanto uma das vertentes de desenvolvimento sócio-económico da ilha.

Importância da biodiversidade na promoção do ecoturismo na ilha do Fogo

A ilha do Fogo conta com uma flora autóctone relativamente rica. Os dados actualizados apontam para a existência de 37 (cerca de 44%) taxa (espécies e subespécies) de plantas angiospérmicas, num total de 85 taxa a nível nacional, dos quais 6 espécies, Língua-de-vaca (Echium vulcanorum, Funcho (Tornabenea tenuíssima e Tornabenea humilis), mostarda (Diplotaxis hirta), Mato-branco ((Diplotaxis cystolithicum) e Cravo-brabo (Erisymum caboverdeanum) são endemismos exclusivos da ilha. Estes dados colocam a ilha entre os três maiores centros florísticos de Cabo Verde, depois de Santo Antão e S. Nicolau (Brochman et al., 1997). No entanto quando se analisa a riqueza de espécies e a densidade específica ou seja o número de espécies e de indivíduos de cada espécie, concentrados por unidade de espaço, a ilha do Fogo aparece em primeiro lugar. Os dados de 2005 apontam 32 espécies de plantas angiospérmicas endémicas na área do Parque Natural do Fogo (Leyens, 2005) contra os 29 taxa da Ribeira da Torre na ilha de Santo Antão. O maior centro de distribuição da biodiversidade indígena da ilha é o Parque Natural do Fogo que integra as zonas da Bordeira do Vulcão, Pico Novo, Chã das caldeiras e Montinho.A densidade populacional tem reflexo directo no coberto vegetal e consequentemente na paisagem. No caso concreto da ilha do Fogo observa-se uma maior cobertura vegetal nas zonas da Bordeira, Montinho e Monte Velha. 

Impacte da vegetação no ecoturismo 

O turismo baseado na Natureza é entendido como uma das formas do ser humano gozar, na Natureza, os melhores momentos de lazer, sem contudo a perturbar e contaminar. A Natureza é assim um espaço físico onde se pode estudar, desfrutar e apreciar a paisagem e a vegetação natural, seguindo um processo de conservação que pressuponha a minimização da degradação ambiental. O objectivo principal das pessoas que praticam o turismo ecológico é o de terem oportunidade de conseguir na natureza o espaço de lazer que não encontram no meio urbano.  São conhecidas duas modalidades de turismo: o turismo de praia, mais conhecida e vulgarizada, e o turismo de montanha que tem a sua base na paisagem da montanha e vegetação natural. O relevo, as altitudes elevadas e a diversidade de exposições geram uma sucessão de quadros paisagísticos com tipos de comunidades vegetais com composição florística muito diversificada, emprestando a paisagem aspectos que ao longo dos tempos fizeram da sua paisagem rural uma das mais atractivas de Cabo Verde.  Os trabalhos de campo realizados pelo Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA) e por Leyens entre 1997 e 2002 e recentemente em Novembro de 2006 demonstraram que existem na ilha, zonas, nomeadamente, a área da antiga cratera, Montinho e Bordeira cobertas com  uma vegetação, em parte, única para Cabo Verde. As encostas de lavas e jorras vulcânicas, cobertas de verde da vegetação indígena constituem um quadro paisagístico único não só para Cabo Verde como também para o Planeta. Esses valores associados à idade dos exemplares da espécie Echium vulcanorum (Língua-de-vaca), com cerca de 300 anos de vida (Rivas Martinez, 2006-comunicação verbal), endemismo exclusivo da ilha, fazem com que Fogo seja uma das ilhas mais procurada pelos turistas que anualmente visitam Cabo Verde. 


Língua de Vaca
Língua-de-vaca
Lingua Vaca
Língua-de-vaca com cerca 300 anos
 
Mato Barnco
Mato-Branco – endemismo da ilha do Fogo

Por: Isildo Gomes - Biólogo/Mestre em Gestão de Recursos Naturais

Comentarios (8)Add Comment
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escrito por Henrique De Pina Cardoso, Julho 31, 2007
Pobre ilha! Pobre gente!
Meu caro com enaltecimento destes ela desce cada vez mais para as profundezas do Oceano, enquanto sobe o cume a caminho do céu em forma de agulha?

Com tantas coisas belas e boas que havia nessa ilha esta reduzida ao que descreve ? Encerrem a ilha e manda as pessoas para outro lugar no mundo!

Ilha tão inóspita em riquezas naturais mas próspero em poleiros e tachos. Será possível?

Esta forma de egocentrismo profissional.

Muito grato pelo conhecimento dado em a ilha faliu, natural e humanamente.

Mantenhas desde cá do exílio
Não terá entendido o propósito do artigo ou terá optado pela provocação?
escrito por Isildo Gomes, Agosto 19, 2007
Caro Senhor Henrique de Pina Cardoso

Antes de mais devo dizer-lhe que tive muito prazer em ler os seus comentários o que demonstra que se interessa pela nossa ilha natal. Entendo que me assiste o direito de lhe remeter para a parte introdutória do artigo onde digo que se trata do primeiro de uma colectânea de artigos que serão escritos por vários autores especialistas em diversas áreas de conhecimentos. Os próximos versarão as outras "coisas boas" da ilha, nomeadamente, Geologia da Ilha e serão da autoria do Dr. Mota Gomes e colaboradores.
Penso que a ilha do Fogo tem recursos humanos capazes de darem a sua modesta contribuição para o seu necessário desenvolvimento sócio-económico, sem que sejam moralistas e provocadores e quem sabe até regionalistas. Os artigos de vários autores complementam-se e têm todos o mesmo objectivo...o de contribuirem para o desenvolvimento da nossa Ilha. A classificação poética "egocentrismo profissional" da sua autoria. Eu pessoalmente desconheço o seu significado.

Amistosamente

Isildo Gomes
Biólogo/Mestre em Gestão de Recursos Naturais
...
escrito por foguinho, Agosto 19, 2007
Gostei muito do artigo do Mestre Isildo e sugiro que publiquem os outros artigos a que se referiu. Quanto ao comentário do senhor Henrique só pode ser por mera provocação. Ninguém pode escrever tudo num só artigo sobre que materia for. Existem varios angulos, várias formas de se analisar um determinado fenómeno, assim como varios pontos de vista. Convido o senhor Henrique a escrever um artigo sobre o desenvolvimento do Fogo, apresente os seus pontos de vista e deixe que os leitores critiquem e verá se sobre essa matéria abordará todos os angulos da mesma. Aceite o desafio, já que se preocupa com o desenvolvimento da nossa ilha.
parabéns
escrito por Difogo, Janeiro 10, 2008
È sempre de louvar iniciativas que tem como objectivos dar a conhecer e promover a riqueza natural da minha ilha. aguardo mais iniciativas como estas, mas também no que visa a promoção do turismo ambiental que poderá ser a mais valia de uma ilha com enormes potencias turisticos, que não seja apenas sol e praia.
Boa ideia...
escrito por Hélio Mendes, Janeiro 16, 2008
Antes de mais quería apresentar-me,chamo-me Hélio,sou estudante de Engenharia Geológica.
Gostei muito da ideia de promover a nossa cultura, biodiversidade,e a natureza que tanto nos orgulhece,sería melhor ainda si isso fosse com todas as ilhas,mas vale a pena aplaudir...

Por ultimo quería pedir um favor ao biólogo Isildo Gomes:gostaría de ter mais acesso aos documentos publicado no internet sobre a Geología de Cabo Verde, visto que a minha especialidade é de suma importancia para esse país,assim que si estiver dentro da sua possibilidade que me indicara alguns sites relacionado com o tema em questäo e também,Cual é o e-mail do geologo dr.Mota Gomes? gostaría de intercambiar ideias com ele,visto que ainda estou no 3ro ano
da carreira.

Felicidade......
Helio Mendes......Pinar del Río,Cuba
Bom!
escrito por thais, Abril 29, 2008
Gostei um pouco do artigO...mais deveria falar mais sobre a historia,a infra estrutura,e etc...
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Thais-Aparecidada de goiania,Goias.
Fogo, una isla maravillosa
escrito por Rubén Barone Tosco, Maio 10, 2009
La isla de Fogo es un auténtico paraíso natural, un reservorio de biodiversidad vegetal y animal, como muestra el interesante artículo del Sr. Gomes. He visitado cuatro veces Fogo, y tengo que confesar que es una de las islas que más me gustan de Cabo Verde y de toda la Macaronesia. Su flora endémica y su avifauna son dignas de estudio, valoración y conservación, para que las nuevas generaciones sigan disfrutando de ellas. Ya vuelvo a tener "morabeza" de estar de nuevo en esta isla, donde tengo buenos amigos y he encontrado un pequeño paraíso. Por favor, no echen a perder este paraíso natural con un turismo masivo. Mantegan el tipo de turismo que hay actualmente, rural, deportivo y de senderismo, y en cantidades moderadas, porque la masificación conlleva siempre una pérdida de calidad y una gran alteración del medio. Y lo digo por experiencia propia, pues vivo y trabajo en Canarias, un archipiélago hermano...
...
escrito por Jaelsa, Fevereiro 11, 2010
Se bem que vocês poderiam colocar mais coisas sobre a biodiversidade da ilha do vulcão como por exemplo lista de árvores e outras plantas que predominam essa iha.

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