Personalidades

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TEIXEIRA DE SOUSA

S. Lourenço, 1919 - Oeiras, 2006

Quase um século entre a medicina e a cultura

Nascido na localidade de S. Lourenço, na ilha do Fogo, faz os seus estudos de Medicina em Portugal, concluindo-os em 1945. No ano seguinte parte para Timor, e é em 1949 que regressa à sua ilha, onde vai encontrar o edifício construído para ser hospital transformado num albergue dos flagelados pela fome.

Consegue o seu realojamento, relatou-nos numa entrevista em 2004, e implanta finalmente o hospital, e mais tarde uma maternidade. Em 1954, com uma bolsa de estudos, parte para França, onde se especializa em nutrição. Produz vários textos sobre este tema. São dois anos na Europa, após os quais fixa-se em S. Vicente, onde será o presidente da Câmara Municipal, de 1959 a 1965. Em 1975, passa a residir em Portugal definitivamente.

Na entrevista ao A Semana em 2005, o escritor manifestava o que lhe faltava produzir em termos literários: “Só não sei se os anos da minha vida me chegam para escrever”, referia, indicando duas histórias, uma das quais sobre o avô, um grande proprietário na localidade de S. Jorge.

O outro tema, “bastante lírico”, nas suas palavras, teria como título o verso de uma morna de Amândio Cabral - Na Madrugada dos Teus Olhos. Mesmo sem ter tido tempo de escrever esses dois livros, o incansável Teixeira de Sousa fica para a literatura cabo-verdiana como um dos seus autores mais produtivos.



ANA PROCÓPIO

1866 - 1957

Cantadeira de Djarfogo


Ana Procópio, a mais afamada cantadeira da Ilha do Fogo, no género de Kurkutisan ou Rafodjo. Em Dezembro de 1960, o jornalista Félix Monteiro publicava, na Revista Claridade, o artigo “Cantigas de Ana Procópio”. Há 45 anos, este extraordinário investigador cultural publicava o registo mais completo, que se conhece, sobre a grande cantadeira de Djarfogo, falecida a 30 de Maio de 1957. “Quem me deu a notícia da sua morte, fez o seguinte comentário, bem significativo: cantar, há muita gente que canta; mas cantadeira…era Ana Procópio”, escreveu Félix Monteiro.

Mulher de muitos amores, e que usou seu livre-arbítrio de forma orgulhosa, Ana Procópio sempre foi alvo das linguaradas, a quem detestava profundamente.

Língua di mundu, Si N panha-bu
Nim ka bonitu, kuzidu ó fritu
Algun katxó á-l kumé-N bó


 

PEDRO M. CARDOSO

1890 - 1942

Poeta e Jornalista Foguense

Pedro Monteiro Cardoso nasceu na ilha do Fogo, a 13 de Setembro de 1890, e morreu aos 52 anos na Praia, a 31 de Outubro de 1942. Aluno do antigo Seminário Liceu de S. Nicolau, foi funcionário da alfândega, professor do ensino primário e do liceu, chefe de redacção do jornal A Voz de Cabo Verde e editor do jornal Manduco.

Poeta retractado pela sua africanidade, patente em seu pseudónimo, Afro, e pela consciência e valorização do folclore cabo-verdiano, aliás tema de um livro, com o mesmo nome, lançado em 1933. Assim como o seu contemporâneo Eugénio Tavares, Cardoso foi um escritor bilingue. Mas destacou-se como um defensor intransigente do kriolu, envolvido em polémica constante por causa desta matéria. O que lhe trouxe muitos dissabores, uma vez que vivia num regime que condenava qualquer tipo de manifestação nacionalista nas colónias.